“Punhos no Ar” para a nostalgia do hip-hop

NÁGEL MUNGOI

A NOSTALGIA marcou a 11.ª edição do Festival Nacional do Hip-Hop Punhos no Ar pela participação massiva de cantores da “velha escola”, autores de clássicos que marcaram a história do rap e continuam presentes na memória dos moçambicanos amantes deste género musical.

O alinhamento representou um reencontro com diferentes momentos da história do rapmoçambicano, numa ocasião em que antigos êxitos voltaram a ecoar diante de uma nova geração de espectadores.

Os rappers A-Small, Armadu, Don Mceezalin e Squeeza, todos membros do grupo Queenz, um dos mais antigos do país, proporcionaram ao público uma viagem pelas diferentes fases de afirmação do hip-hop moçambicano.

Depois de ter perdido a 10.ª edição do festival pela morte do pai, A-Small decidiu este ano destacar a mensagem presente em “Good Vibes”, música conhecida por invocar energias positivas.

“No ano passado não participámos devido ao desaparecimento físico do pai do nosso companheiro, antes do show estivemos na cerimónia de um ano. O facto de estarmos aqui mostra o quanto amamos a música e queremos proporcionar momentos bons para todos vocês”, destacaram os membros.

As “good vibes estiveram em alta principalmente quando o colectivo interpretou “Estás pra Ser Dropado”, seu tema mais conhecido, no qual destacam a sua capacidade lírica e reflexões sobre a importância do rap para o desenvolvimento do pensamento crítico.

Na sua vez, Sleam Nigga subiu ao palco com LW, o seu companheiro no grupo 50 Killos. Em primeira instância os artistas lembraram o tema “Querem Mais o Quê”, um dos seus primeiros sucessos e depois seguiram com temas relativamente actuais.

Críticas à desvalorização dos artistas, da pobreza e outras problemáticas de Moçambique foram trazidas através de “Eu Sou Daqui”, música que no original contém também versos de Hernâni da Silva.

Antes da saída, interpretando “Maquinag”, os artistas deixaram um aviso sobre gravidade de conduzir sob o efeito do álcool, tendo em conta principalmente o contexto, um espectáculo nocturno onde muitos dos espectadores consumiam álcool.

De certo modo, a 11.ª edição viu o regresso do grupo Magnezia, colectivo de hip-hop moçambicano que marcou os anos 2000 e com ligações a nomes marcantes no rap e na cultura urbana do país.

O retorno aconteceu graças a Trez Agah, artista oficialmente alinhado, que levou alguns dos antigos membros do grupo para o palco.

Apesar de o seu nome ser maioritariamente ligado à G-Pro, Trez foi membro da Magnezia e é autor dos maiores sucessos do colectivo, entre eles “Meu Style Nunca Muda” e “Whatabiwa Lano Remix”. No encontro lembrou os fãs da música “Meu Bolso”, na qual estão presentes os seus versos, de Carbono e Masta Bad, que estiveram também no palco.

Kloro tem acostumado o público as suas actuações ao vivo e na 11.ª edição do Punhos no Ar não foi diferente. Com a sua banda trouxe a “Música da Sociedade” e outros temas actuais, mas o grande destaque foi “J’yeah, J’yeah” som que partilha a voz com outros membros da Trio Fam, o seu primeiro grupo.

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