Mia Couto participa no festival literário na Polónia

O ESCRITOR moçambicano Mia Couto é um dos representantes dos países de língua oficial portuguesa na 15.ª edição do Festival Literário Sopot, a decorrer próxima semana na cidade polaca do mesmo nome.

Através de videoconferência, o autor vai juntar-se a nomes da literatura em língua portuguesa, entre os quais os portugueses Afonso Cruz, Gonçalo M. Tavares e José Luís Peixoto, os brasileiros Itamar Vieira Júnior, Michel Laub e Paulo Scott.

Durante quatro dias, o festival Literacki Sopot, que celebra 15 anos de existência, apresenta uma programação que inclui encontros com autores, debates, oficinas, projecções de filmes, leituras performativas, uma feira do livro e actividades para crianças e jovens, em grande parte centrada na divulgação de diferentes vozes, geografias e expressões culturais do universo lusófono, anunciou a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, nas redes sociais.

Logo no arranque do festival, será inaugurada a instalação artística “Onze Espíritos”, da artista plástica portuguesa Inês Brites, que ficará patente no Parque na Goyki, como parte do programa de artes visuais do Goyki 3 Art Inkubator.

Trata-se de onze taças escultóricas em cerâmica que estarão distribuídas pelo jardim, aludindo a onze riachos em Sopot, numa obra que simbolicamente restaura a água à paisagem onde antes fluía livremente, revivendo memórias hidrológicas e culturais esquecidas, lê-se na programação do festival.

Ao início da tarde, haverá lugar para um debate dedicado à obra de Clarice Lispector, uma das mais importantes escritoras da literatura brasileira do século XX, cuja “prosa introspectiva, que desafia classificações simples, conhece actualmente um renovado interesse entre os leitores polacos”, destaca o Camões Instituto, na sua página oficial.

Este debate, integrado na rubrica “A Língua da Saudade”, no âmbito da qual inserem-se as participações dos convidados de língua portuguesa, intitula-se “A Paixão Segundo Clarice. A Escrita de Mulheres no Espaço da Língua Portuguesa” e parte da questão “Existe Um Fio Condutor Comum na Literatura Escrita por Mulheres em Língua portuguesa?”, detalha o programa do festival.

“Embora trabalhem em continentes diferentes, escritoras do Brasil, Portugal e países africanos compartilham uma sensibilidade singular, uma luta pela subjectividade e uma abordagem revolucionária da forma. A figura central desse universo literário e do debate deste ano com tradutoras será Clarice Lispector — a ‘Esfinge do Rio de Janeiro’, cuja prosa desafia definições e que vive actualmente um verdadeiro renascimento na Polónia”.

O festival terá ainda um pavilhão dedicado às publicações dos países de língua portuguesa editadas na Polónia, com a presença do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e de editoras polacas que publicam traduções de literatura lusófona.

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