AOS 119 ANOS: A cidade que continua de pé apesar das tempestades

A CIDADE da Beira, capital da província de Sofala, assinala hoje 119 anos de existência, uma celebração marcada por actividades culturais, desportivas e três dias de espectáculos, que juntam munícipes, visitantes e artistas de diferentes pontos do país.

Mais do que uma ocasião para recordar a história e o percurso da urbe, o aniversário constitui também um momento de reflexão sobre os desafios que continuam a condicionar o desenvolvimento da urbe, particularmente nas áreas de infra-estruturas, mobilidade, drenagem e adaptação às mudanças climáticas.

O presidente do Conselho Municipal da Beira, Albano Carige, assegura que a sua equipa pretende continuar a trabalhar para melhorar as condições de vida da população, apostando em projectos estruturantes capazes de responder às principais necessidades dos munícipes.

“A nossa cidade olha para a sua história com orgulho, mas também com a consciência dos enormes desafios que o futuro coloca, sobretudo por  ser particularmente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas e à ocorrência cada vez mais frequente de eventos climáticos extremos”, avalia Carige.

Acrescenta que ao longo dos anos ciclones, tempestades, chuvas intensas e ventos fortes deixaram marcas profundas. Muitas famílias perderam as suas casas e os seus meios de subsistência, enquanto outras foram obrigadas a viver em condições precárias, aguardando por melhores dias. Estradas, infra-estruturas e outros equipamentos sociais também foram afectados, tornando evidente a urgência de uma reabilitação que permita à segunda maior cidade do país recuperar não apenas os seus espaços físicos, como também a segurança e a dignidade das suas comunidades.

Entre as prioridades, segundo o gestor municipal, está a melhoria das vias de acesso, requalificação dos mercados e das infra-estruturas de drenagem, incluindo a construção e manutenção de valas e bacias de retenção com o objectivo de reduzir o impacto das inundações durante a época chuvosa.

Carige considera que Beira precisa de uma estratégia de longo prazo e defende a continuidade do programa de desenvolvimento assente no “Masterplan 2035”, concebido, segundo afirma, durante o período em que trabalhou com o antigo presidente do município, Daviz Simango. A ideia é evitar que cada nova liderança abandone as iniciativas anteriores e reinicie o processo de desenvolvimento.

Segundo disse, reabilitar a cidade significa, por isso, muito mais do que reconstruir paredes e telhados. Significa criar condições para que as populações estejam mais protegidas perante futuros ciclones e tempestades, apostar em infra-estruturas resilientes e garantir que as famílias mais vulneráveis não sejam deixadas para trás.

É um desafio que exige investimento, planeamento e uma visão de longo prazo, sobretudo num contexto em que as mudanças climáticas tendem a agravar os riscos enfrentados.

Entre as grandes apostas para o futuro está a protecção costeira, considerada fundamental para tornar Beira mais segura e resiliente aos efeitos das mudanças climáticas.

O edil afirma que os trabalhos preparatórios estão a avançar e admite que a obra poderá arrancar em finais de Dezembro, logo que estejam reunidas as condições necessárias. Outra prioridade é transformar a Beira numa cidade mais verde, através do conceito de “Cidade Esponja”, com soluções destinadas a absorver, reter e gerir águas pluviais.

No sector rodoviário Carige defende a modernização gradual das estradas, enquanto na área do turismo destaca a revitalização da Praia de Sengo e o desenvolvimento do respectivo Pólo Turístico, actualmente em fase de estudo.

As celebrações dos 119 anos incluem futebol, canoagem, ciclismo, corrida de “txovas” e três dias de espectáculos com artistas locais e convidados de várias províncias.

A comemoração combina celebração e perspectiva de futuro, com a promessa de uma Beira mais protegida, moderna, verde, turística e capaz de oferecer melhores condições de vida aos seus habitantes.

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