DEPOIS DE SUCESSIVOS CICLONES: Lunga reergue-se da devastação
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LINO VÍCTOR
LUNGA, posto administrativo do distrito de Mossuril, em Nampula, está a recuperar das marcas deixadas por sucessivos ciclones e pela tragédia marítima de Abril de 2024, com investimentos na reconstrução de unidades sanitárias, escolas, sistemas de abastecimento de água e vias de acesso.
Habitada por mais de 89 mil pessoas, a região beneficiou, nos últimos tempos, de intervenções do Governo, parceiros de cooperação e organizações da sociedade civil. Porém, persistem dificuldades no acesso à água, energia eléctrica, transportes e infra-estruturas rodoviárias.
Os ciclones destruíram bens e infra-estruturas públicas e privadas, agravando as condições de vida numa região cuja população depende, sobretudo, da pesca, agricultura e produção de castanha de caju.
A situação foi agravada pela tragédia de 7 de Abril de 2024, quando uma embarcação artesanal naufragou, provocando a morte de cerca de uma centena de pessoas que seguiam em direcção à Ilha de Moçambique.
No sector da saúde, Lunga conta agora com três unidades sanitárias intervencionadas, sendo uma construída de raiz, outra reabilitada e a terceira ampliada, incluindo uma maternidade e outros serviços.
Na educação, escolas primárias, básicas e secundárias estão em funcionamento, enquanto outras infra-estruturas destruídas pelos eventos climáticos estão a ser reconstruídas ou reabilitadas.
Foram igualmente reabertos furos de água e melhoradas algumas vias de acesso. Contudo, os sistemas existentes continuam insuficientes para responder às necessidades da população.
O transporte constitui outro desafio. Um tractor introduzido para assegurar o transporte público encontra-se avariado, obrigando os habitantes a recorrer, sobretudo, a táxis-mota.
A recuperação de Lunga poderá ganhar novo impulso com o aproveitamento dos recursos minerais existentes na região. Estão em curso trabalhos de prospecção de rutilo, zircão e ilmenite, minérios com aplicações industriais e valor no mercado internacional.
As autoridades locais consideram que a futura exploração destes recursos, aliada ao potencial da pesca, agricultura e turismo, poderá abrir novas perspectivas para uma região que procura converter as sucessivas adversidades em oportunidades de desenvolvimento.