Mesmo eliminada, Curaçao conquista torcida brasileira e vive Mundial histórico

Curaçao chegou à Copa do Mundo de 2026 carregando o peso — e o orgulho — de ser a menor nação da história a disputar o torneio em população e território. A estreia, no entanto, foi dura: uma goleada por 7 a 1 para a Alemanha.

Mesmo diante do placar elástico, a eliminação não apagou o significado da participação inédita. Após o apito final, a torcida permaneceu nas arquibancadas para aplaudir os jogadores, cantando e celebrando o momento histórico vivido pela pequena ilha caribenha de cerca de 156 mil habitantes.

É nesse contexto que a história de Curaçao na Copa se cruza com o Brasil. Nascida em território brasileiro, Suzanne Huurman é a chefe do departamento médico da seleção e a única mulher entre os 47 homens que ocupam a mesma função nas equipes participantes do Mundial.

Para ela, a paixão pelo futebol aproxima os dois países.

“Acho que a forma de viver o futebol no Brasil e em Curaçao é muito parecida. É um estilo de vida. Não se trata apenas do futebol. As pessoas são alegres, gostam de dançar, de aproveitar e de desfrutar do futebol. É algo que faz parte da vida. O esporte faz parte da felicidade delas”, afirmou.

Depois da goleada na estreia, Curaçao mostrou poder de reação. Na segunda rodada, a equipe segurou um empate sem gols diante do Equador e conquistou o primeiro ponto de sua história em Copas do Mundo.

A esperança de avançar ao mata-mata permaneceu viva até a última rodada, mas a derrota por 2 a 0 para a Costa do Marfim, na quinta-feira (25), decretou a eliminação da seleção.

Apesar da despedida, Suzanne garante que a equipe recebeu muito apoio dos brasileiros ao longo da campanha.

“Sentimos muito carinho. Os jogadores também recebem muitas mensagens e demonstrações de apoio de pessoas do Brasil, o que é muito legal. Durante a nossa preparação em Curaçao, também havia pessoas do Brasil acompanhando os jogos. O carinho dos brasileiros está muito presente dentro da equipe. Nós sentimos isso bastante.”

Foto: Reprodução

Da medicina ao maior palco do futebol

Antes de integrar a comissão técnica de Curaçao, Suzanne construiu uma carreira de destaque na medicina esportiva. Ela passou pelos departamentos médicos de clubes como o Real Madrid e o PSV, além de atuar em grandes eventos internacionais, como os Jogos Olímpicos de Paris 2024.

Ainda assim, ela afirma que nada se compara à experiência de disputar uma Copa do Mundo.

“A Copa do Mundo é outro nível. Não dá para comparar com um jogo de clube nem mesmo com os Jogos Olímpicos. É algo diferente, muito maior. É uma experiência completamente distinta.”

Suzanne conta que, durante a faculdade de medicina, percebeu que não se identificava com a rotina hospitalar e decidiu direcionar sua carreira para a medicina esportiva. Foi essa escolha que a levou ao futebol e, posteriormente, à seleção de Curaçao, onde viveu o ponto mais alto de sua trajetória profissional justamente na primeira participação da história do país em um Mundial.

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