EDITORIAL – Jornal Notícias
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A RECENTE detecção de lotes de medicamentos como sulfato ferroso e ácido fólico, para além de aspirina com alterações das suas características organolépticas, o que compromete a sua segurança e eficácia, levanta o debate antigo sobre o controlo de qualidade dos fármacos colocados à disposição dos moçambicanos.
Segundo uma nota de imprensa enviada à Redacção do “Notícias”, trata-se de comprimidos que se apresentam com alterações na cor, erosão no revestimento, degradação e cheiro forte, o que fez com que a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos (ANARME) ordenasse a sua suspensão e recolha das unidades sanitárias e farmácias para proteger a saúde pública.
Estes remédios constituem a primeira linha de prevenção e tratamento da anemia em mulheres grávidas e crianças, assim como para o alívio de sintomas em doentes cardíacos, ajudando-os a reduzir o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Assim, é de louvar o facto de a ANARME ter reagido rapidamente para travar a venda destes medicamentos e aberto uma linha de farmacovigilância destinada a ajudar na monitorização do processo. Todavia, o facto de a descoberta das anomalias ter ocorrido nas unidades sanitárias e farmácias evidencia que há ainda muito trabalho por ser feito, sobretudo a montante.
Significa que é preciso aprimorar a inspecção pré-embarque dos medicamentos, evitando, desta forma, a importação de produtos de qualidade duvidosa, a exemplo do que aconteceu com os lotes ora detectados, cuja administração, como se sabe, poderia representar, na saúde dos utentes, diversos efeitos adversos aos esperados.
O país precisa, acima de tudo, de abandonar a informalidade no processo de importação de fármacos, devendo a actividade estar exclusivamente reservada a entidades devidamente licenciadas, porque idóneas, afinal se trata de produtos extremamente sensíveis, porquanto, qualquer descuido pode arriscar a saúde e a vida das pessoas.
A necessidade de aperfeiçoamento dos mecanismos de controlo cresce ainda mais num país que importa mais de 80 por cento dos medicamentos que usa no seu dia-a-dia nas unidades sanitárias.