GRADUADOS DO ENSINO SUPERIOR: O difícil caminho rumo ao emprego
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QUITÉRIA UAMUSSE
ENTRE os corredores das universidades e as ruas movimentadas da cidade e província de Maputo, muitos graduados enfrentam uma realidade distante das expectativas criadas durante a formação. Apesar de terem diplomas, competências técnicas e experiência adquirida em projectos de curta duração, a sua inserção no mercado formal de trabalho continua um dos maiores desafios.
Este é o caso de Regino Cumaio, residente no bairro Ferroviário, licenciado em Educação Ambiental pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM), no ano passado. Após inúmeras candidaturas submetidas a instituições públicas e privadas, ainda não conseguiu um emprego permanente.
Enquanto aguarda por uma oportunidade na sua área de formação, encontrou no moto-táxi alternativa para o sustento diário e evitar a dependência financeira dos seus familiares.
A sua história reflecte a situação de muitos recém-graduados que, apesar de investirem anos na formação, deparam-se com exigências de experiência profissional, falta de respostas às candidaturas e processos de recrutamento que nem sempre inspiram confiança.
“Não concorro apenas a vagas relacionadas à Educação Ambiental. Numa destas vezes, candidatei-me a auxiliar administrativo numa instituição estatal. Depois da avaliação documental, fui à entrevista. Entretanto, ao consultar os resultados, simplesmente no meu nome vinha que havia faltado àquele processo selectivo”, narra.
A situação deixou o jovem frustrado, tendo em conta os gastos com a organização de documentos, de tal forma que não insistiu com a entidade para a reposição da verdade. “Em muitas vagas simplesmente não recebemos qualquer retorno. Outras vezes, somos informados que ficámos suplentes, sem explicação clara”, conta.
Mesmo diante das dificuldades, o jovem, que foi o melhor estudante da sua turma, não abandonou a área de especialização, pois desde cedo ouviu que Educação Ambiental era e é o curso do futuro.
Assim, desde 2021 participa em actividades de voluntariado ligadas à Educação Ambiental, colaborando com organizações nacionais e estrangeiras em projectos de sensibilização comunitária, conservação do ambiente e estudos sobre a coexistência entre comunidades e fauna bravia.
Estas experiências, embora importantes para o seu crescimento profissional, são geralmente de curta duração e insuficientes para garantir a estabilidade financeira que tanto almeja.