PEMBA, IBO E BEIRA: Projecto fortalece resiliência costeira
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LUÍS SANDE
AS cidades costeiras de Pemba, da Beira e a vila do Ibo vão beneficiar de um programa destinado ao reforço da capacidade de prevenir, adaptar e responder aos impactos das alterações climáticas e desastres naturais.
Denominada Acção em Favor do Clima e do Ambiente em Moçambique, em Integração com os Planos de Resposta das Cidades Costeiras (CAMBIO), o projecto foi lançado, há dias, em Pemba, província de Cabo Delgado, com a duração prevista para seis meses e com um orçamento de dois milhões de euros.
O programa é financiado pela Cooperação Italiana e será implementado por um consórcio de parceiros liderado pela Fundação AVSI, em colaboração com a Universidade Politécnica de Milão (Politecnico di Milano), Universidade Lúrio (UniLúrio), E35 – Fondazione per la Progettazione Internazionale e Associação FACE, contando, ainda, com o envolvimento dos municípios de Pemba, do Ibo e da Beira.
A iniciativa pretende responder à crescente exposição das cidades costeiras aos fenómenos climáticos extremos, apostando, sobretudo, na prevenção, planeamento urbano resiliente e no fortalecimento das capacidades das instituições e comunidades locais.
O programa prevê, igualmente, a realização de pequenas acções-piloto, destinadas a transformar os conhecimentos produzidos, no âmbito dos planos em intervenções práticas de adaptação e mitigação dos efeitos das alterações climáticas.
Falando durante o lançamento, o embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, afirmou que o CAMBIO representa mais um passo no compromisso da cooperação italiana com o fortalecimento da resiliência das comunidades e instituições moçambicanas.
“A cooperação não se limita a dar respostas imediatas, mas trabalha em conjunto com os parceiros locais, por forma a desenvolver competências, reforçar as instituições e criar condições duradouras para o desenvolvimento”, afirmou Annis.
Por sua vez, o director da sede regional da Agência Italiana para a Cooperação e Desenvolvimento (AICS), Fábio Strinati, destacou que a sua organização já apoia intervenções em diferentes sectores nas regiões abrangidas pelo programa, considerando o CAMBIO uma oportunidade para aprofundar a cooperação com as autoridades e comunidades locais.
O representante nacional da AVSI em Moçambique, Lucas Scarpa, explicou que o projecto está estruturado em duas dimensões consideradas fundamentais: a governação urbana, através da elaboração participativa dos planos integrados de resiliência, e a implementação de acções-piloto para testar medidas de adaptação e mitigação.
Segundo Scarpa, a construção de cidades resilientes não depende exclusivamente de grandes infra-estruturas, mas também de soluções locais, conhecimento, participação comunitária, educação ambiental e capacidade das instituições para trabalharem de forma coordenada.