Educação e privados procuram formação focada no mercado
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CONCEBER um modelo de formação que responda às exigências do mercado constituiu a tónica dominante do encontro realizado ontem em Maputo, entre o Ministério da Educação e Cultura, e o sector privado, representado pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
Há, para já, um consenso de que os graduados que chegam ao mercado de trabalho estão longe de responder cabalmente às necessidades do mercado laboral, o que denota o desfasamento entre o currículo de ensino e as prioridades das empresas e do desenvolvimento do país.
É neste contexto que o ministro da Educação e Cultura, Edson Macuácua, explicou que há interesse de ambas as partes de ampliar as parcerias e promover o envolvimento de diferentes actores na melhoria da qualidade do ensino.
Detalhou que a colaboração prevê a conjugação da teoria e prática, através do acompanhamento dos estudantes nas salas de aula e locais de trabalho, assegurando que, ainda durante a formação, desenvolvam habilidades profissionais.
A cooperação abrange, igualmente, a ligação entre os fazedores das artes e cultura, empreendedores e empresários inseridos nesta indústria, para maior valorização do produto artístico nacional, seu contributo no PIB e, sobretudo, assegurar o respeito pelos direitos autorais.
“Para materialização deste desiderato, estão previstas duas equipas constituídas por representantes de ambas as instituições. A primeira vai colaborar na criação de melhores metodologias para ligação entre o ensino superior e sector produtivo, no desenvolvimento de conhecimentos e formação do capital humano com habilidades para o mercado de trabalho”, avançou.
O segundo grupo aprofundará tecnicamente as questões da área cultural, criando condições para que os artistas ganhem pelas suas obras, muitas vezes usadas em áreas como turismo e hotelaria.
Macuácua convidou as empresas para que, no âmbito da sua responsabilidade social, liderem a mobilização e sensibilização, com foco no Ensino Primário, onde milhares de crianças estudam debaixo das árvores e sentadas no chão. Com investimentos nestas áreas estariam a criar condições para a melhoria da qualidade de ensino.
Por sua vez Álvaro Massingue, presidente do CTA referiu que há condições para trabalhar nesta linha, acrescentando que a interacção evitaria que se coloque no mercado profissionais que não serão absorvidos pelas empresas.
Reconheceu, contudo, que não será tarefa fácil porque muitas universidades têm seu próprio currículo, daí a necessidade de harmonização, para que se formem quadros capazes de transformar o país.